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O fim do caso Backer: será que sua empresa é a próxima?

By 16 de junho de 2020 No Comments

Há um tempo atrás escrevemos aqui sobre o caso da cervejaria Backer. Recapitularemos o caso brevemente para você entender melhor caso não tenha acompanhado.

A Backer é uma das cervejarias artesanais mais tradicionais de Belo Horizonte. Eu particularmente gosto muito das cervejas deles. No final do ano passado surgiram casos de pessoas que foram contaminadas por uma substância chamada dietilenoglicol. Composto químico anticongelante. Algumas pessoas estão ainda se recuperando e infelizmente algumas faleceram.

Nesta última semana o caso foi dado como encerrado e a causa real da contaminação esclarecida. Se você não acompanhou fique aqui comigo que irei dizê-lo sobre a conclusão do caso.

Composto anticongelante fornecido com especificação errada

A empresa utilizava o monoetilenoglicou como substância anticongelante. Foi constatado que a empresa fornecedora da substância alterou em seu processo o produto para dietilenoglicol. Ou seja, a empresa comprou um material e foi entregue outro. Além disso não havia no processo uma forma de verificar se o produto recebido era efetivamente o solicitado.

Por mais que houvesse uma substituição entre estes itens em específico, ambos causam os mesmos danos à saúde. Um dos motivos da Backer não ter sido isenta da acusação em utilizar estes compostos.

Segundo especialistas o anticongelante ideal seria o álcool. Esse mesmo que conhecemos. Isto por não causar danos à saúde em caso de contaminação do produto final.

Tanques trabalhando com produto fora da especificação

A Backer utilizava o composto não indicado como anticogelante. A especificação do tanque proibia este produto. Contudo vazou um áudio em que uma pessoa vinculada à empresa fabricante informando que poderia utilizar sem maiores danos ao processo.

Fica aqui um alerta em utilizar os ativos com especificações que não são àquelas inseridas no manual.

Ruptura de solda no tanque

Após bombearem na mesma linha do anticongelante um produto semelhante ao utilizado em detecção de trincas por líquido penetrante (não posso afirmar ao certo qual foi pois não encontrei esta especificação) constatou-se que havia uma trinca no tanque referente aos lotes das cervejas contaminadas.

Ou seja, uma trinca em uma solda permitiu que o anticongelante contaminasse o produto final.

Seria necessária uma análise mais aprofundada para indicar se o dietilenoglicol poderia causar uma falha na solda. Contudo se você trabalha com manutenção assim como eu sabe que um equipamento pode falhar. Por mais que sua confiabilidade seja alta. Com isso o funcionário que aprovou a utilização da substância mesmo o manual contestando foi inserido em todo o processo de investigação.

Manutenção corretiva como estratégia

Já escrevemos aqui sobre este assunto (veja no artigo Poderia ser a manutenção corretiva uma opção?). Não tem nenhum problema em escolher a manutenção corretiva como estratégia. Contudo deve-se antes fazer uma análise de criticidade para identificar se este ativo aceita trabalhar desta maneira sem colocar em risco os funcionários, clientes, produção e imagem da empresa.

Um fato relatado também foi que a bomba de dietilenoglicol estava com vazamento e o operador foi instruído a apenas completar o nível de reservatório caso abaixasse. Com isso dificilmente o vazamento seria identificado. Digo isso devido à manutenção corretiva utilizada como estratégia e pelo operador ter recebido apenas esta instrução. Se o nível do reservatório está baixando o produto está indo para algum lugar. Não imaginaram que poderia ser para dentro do tanque também…

O meu receio com isso tudo…

O grande receio visualizando um caso como o da Backer é o de imaginar que várias empresas estejam trabalhando da mesma maneira. Como assim?

Corretivamente, focando somente na produção e burlando as condições ideais do ativo para faturar mais.

Já falamos aqui várias vezes e minha opinião não mudou: uma empresa vende seu produto final. Não manutenção. Sem produzir ela não vende e com isso não gera empregos. Mas provoco você a pensar: até onde focar só em produzir, sem respeitar o ativo é viável?

Caso como este só veio à tona pois envolveu contaminação de pessoas. E as fábricas que não têm casos como este (ainda bem!!!) mas tem seu custo de manutenção alto, atraso na entrega pro cliente, acidentes leves?

Infelizmente acredito que casos semelhantes como o da Backer existam inúmeros. Mas por não estar relacionado diretamente com a saúde do homem não será visto. Como não existe almoço grátis, alguém está pagando a conta. Mesmo achando que não.

Igor Silveira

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