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5 coisas que não te contaram ao sair do curso técnico/engenharia

By 30 de outubro de 2020 No Comments

Logo quando formei no curso técnico comecei a procurar por estágio. Era recém-formado no curso técnico de eletromecânica e já vivia aquela experiência maçante de fazer entrevista, fazer teste psicológico, aguardar ansiosamente para o RH me retornar com um feedback positivo (ou não) e se caso desse errado iniciar todo o ciclo novamente.

Após entrar para a engenharia percebi que este mesmo ciclo iniciava novamente. No meu caso e de alguns amigos nem tanto, pois acabamos seguindo na área em que atuávamos. Mas para quem não tinha curso técnico, sim.

E a verdade é que neste momento você acaba aceitando o estágio que aparece, a oportunidade que aparece. A grande maioria das pessoas querendo ganhar seu dinheiro e entrar no mercado de trabalho tomam uma decisão que muitas vezes os fazem arrepender depois.

Após vivenciar esta corrida pelo primeiro emprego duas vezes, por ter atuado em mais de uma área da engenharia e ter atuado em uma mesma área, porém segmentos diferentes, vou deixar algumas informações para você que infelizmente não ensinam nas escolas. Mas com este texto você poderá avaliar melhor a sua carreira. Vamos juntos?

Verdade 1: cada área da engenharia tem sua dinâmica de mercado

Meu primeiro emprego foi em uma empresa que fazia detalhamento de projetos feitos em estrutura metálica. Iniciei nela em 2007 e logo de início já senti o poder de uma crise (a tão falada crise de 2008).

De um ano para o outro vi uma empresa que sentia prazer em pagar hora extra para seus funcionários a começar a desligá-los. Eu mesmo por várias vezes sentei em frente ao meu computador e fiquei um dia inteiro sem fazer nada pois não havia projetos na empresa.

Ao conversar com alguns amigos que já atuavam há vários anos neste segmento pude constatar que essa sazonalidade era comum. Quando uma crise surge, geralmente a primeira decisão que as empresas tomam é a de bloquear os novos projetos. Com isso ficávamos sem trabalho.

Desta situação surgiu meu interesse de trabalhar na indústria. Apesar dela também sofrer impactos com a crise, percebi que meus amigos atuantes lá sofriam menos com essas crises. A manutenção, por exemplo, tem uma função estratégica em uma indústria. Caso haja uma crise, um dos últimos setores onde haverá mudança será nela, uma vez que é mais difícil capacitar e treinar pessoas para desempenharem funções em equipamentos muitas vezes específicos.

Ou seja, avalie sempre o ramo em que você está entrando. A instabilidade dele pode causar uma instabilidade em sua vida.

Verdade 2: segmentos diferentes remuneram também de maneira diferente um mesmo profissional

Trabalho com manutenção industrial há mais de 12 anos. Como empregado trabalhei na construção civil, siderurgia (fabricação de refratário) e petróleo (refinaria).

O que posso te afirmar com 100% de certeza é que cada um destes segmentos remunera a equipe de manutenção de uma maneira diferente.

Uma explicação básica sobre como isso funciona: o custo de manutenção é dividido em mão de obra, materiais e serviços. Segundo a ABRAMAN (Associação Brasileira de Manutenção) as empresas gastam em média 4% do seu faturamento bruto com manutenção. Ou seja, quanto maior for seu faturamento maior será seu gasto. E uma fatia será direcionada para mão de obra.

Posso te afirmar com 100% de certeza que em uma indústria de construção civil a manutenção não é tratada com a mesma importância comparada com a aviação ou petrolífera, por exemplo. Por questões culturais e orçamentária, muitas vezes. Logo surge a pergunta: em qual segmento trabalhar? Melhor ser um planejador em uma indústria que paga mais ou em uma que paga menos? Considerando o trabalho praticamente o mesmo.

E pra finalizar este tópico te afirmo: para mudar basta procurar uma oportunidade no segmento que deseja. Mesmo não tendo experiência nele. Saí da construção civil para a siderurgia. O desafio foi grande. Mas quando você entende bem do básico, depois seu esforço e interesse compensa a falta de experiência.

Verdade 3: cada segmento irá te dar recursos diferentes para trabalhar

Quando trabalhei com projetos não tive problemas com isso. Você precisa de um computador, uma sala com ar condicionado e um software. A licença não é barata. Mas os recursos são de fácil acesso. Já o mesmo não acontece na manutenção, por exemplo.

Ao iniciar na construção civil, na empresa onde atuávamos não tinha uma sala. Um computador para o gestor de manutenção. Logo quem dirá um software.

Com o tempo fomos melhorando os resultados e os recursos foram sendo disponibilizados pra gente. Mas nada se compara aos recursos que tinha trabalhando na siderurgia e na petrolífera.

Manutenção preditiva, planejamento de rotina, planejamento de grandes paradas, software de manutenção, paradas acertadas com o PCP com programação definida anualmente, CAPEX para retrofit e compra de novos equipamentos…

Muitas vezes somos excelentes profissionais. Mas a empresa nos cobra sem dar o devido recurso para cumprirmos tais tarefas. Fique atento a isso. As vezes fica difícil dar murro em ponta de faca.

Verdade 4: se quer ganhar mais vá para a gestão

Existe e ainda existirá por muito tempo o dilema entre quem trabalha na execução e quem trabalha no PCM. Ambos trabalhos são importantes. Mas sempre haverá questionamentos do tipo:

– Ele fica na sala e não suja a roupa. Eu deveria ganhar mais.

– Sem o planejamento nada sai. O cérebro da manutenção está aqui.

A verdade é que o profissional do PCM, ou supervisores, ou analistas, ou engenheiros vão ganhar mais que os técnicos de área. Salvo raras exceções. Se você que crescer e ter salários maiores, procure entender de pessoas, buscar aprender gerir pessoas.

Verdade 5: deixar a vida te levar só é legal na música do Zeca Pagodinho

Tenho conversado com várias pessoas que admiro o rumo em que as carreiras delas tem tomado. A grande maioria delas tem um plano traçado de cursos, o que querem, quando querem… e tudo anotado no papel.

Já trabalhei com pessoas que estão na mesma empresa há 30 anos. Porém vivem reclamando do que fazem, do tempo que fazem e nenhuma atitude é feita.

Crie um planejamento de carreira e avaliem periodicamente o seu progresso. Mudar dói, trás insegurança, medo. Mas as vezes nosso lugar está no desconhecido.

Tudo começa com uma visão do futuro

Muitas vezes precisamos visitar o futuro para idealizarmos o que queremos. Verificar o quão perto, ou longe, estamos para criarmos um plano para nos aproximar de lá.

Estamos acostumados a tomar decisões sem saber exatamente o motivo de as ter tomado. E isso sempre nos leva a algum lugar. Muitas vezes onde não queremos.

Se você está se formando, analise se está iniciando na área onde realmente quer atuar. Se já não é tão novo assim, não se preocupe. Suas habilidades já adquiridas podem permitir você de chegar mais rápido na função que quer, no segmento que quer, na posição que quer.

Minha pergunta é: você sabe o que quer?

Eymard Barroso

Author Eymard Barroso

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